quinta-feira, 29 de julho de 2010

GRANDES MESTRES ICONÓGRAFOS

Disponibilizamos, abaixo, o nome de alguns dos principais representantes da iconografia russa e grega. Sem esgotar a lista do número de grandes mestres da arte, que serviram com humildade, anonimamente ou não, pequenos e grandes, cujos nomes estão escritos no Livro da Vida.

Evangelista São Lucas

Numa postagem anterior já mensionamos este santo como o patrono dos iconógrafos e o primeiro iconógrafo. Autor de ícones de tipologia mariana, porém nenhum desses permanece até os dias de hoje.

Dionísio de Furná (Διονύσιος εκ Φουρνά)

Nascido por volta de 1670 na aldeia de Furná de Halkis. Escreveu muitos ícones portáteis, como também murais (afrescos), principalmente na Igreja do Santo Precursor, no Monte Athos (Άγιον Όρος), onde ele morava. Grande admirador do trabalho de Manoel Panselinos, que tentou imitar. Ele é considerado um dos mais significativos hagiógrafos de seu tempo. Tendo profundo desejo de trazer de volta a tradição bizantina que estava em declínio, devido à influência do estilo ocidental escreveu a "Hermenêutica da Pintura". Devido à sua grande ligação com os protótipos tradicionais, sofreu perseguições por seus colegas e foi forçado a deixar o Monte Athos. A data precisa do seu repouso nos é desconhecida.

Manoel Panselinos

Grande mestre iconógrafo do século XIV e um dos mais importantes representantes da Escola Macedonica. Segundo a tradição ele era de Tessalônica, Grécia. Somente a partir de Dionísio de Furná em seu manuscrito "Hermeneutica da Pintura", que se ficou sabendo que a hagiografia da Igreja de Protato (Πρωτάτο Καρυών), no Monte Athos, era de Manoel Panselinos. Dionísio conta, ainda, que Panselinos escreveu alguns ícones portáteis, porém não nos dá maiores informações sobre eles. Finalmente, a hagiografia da Capela de Santo Eutímio, em São Demétrios, em Tessalônica, acredita-se, foi feita por Panselinos devido à semelhança em relação à técnica e aos traços feitos na Igreja de Protato (Πρωτάτο Καρυών).

Monge Andreij Rublëv (Андрей Рублёв)

Santo monge e iconógrafo da Igreja Russa. Nascido em 1360 e falecido em 1430 é considerado o maior pintor russo de ícones, afrecos e miniaturas para iluminuras. Há pouca informação sobre sua vida. A primeira mensão de Rublëv é em 1405, quando ele decorou os ícones e afrescos da Catedral da Anunciação, no Kremlin, em Moscou. Na arte de Rublëv duas tradições se combinam: o mais alto ascetismo e a harmonia clássica das maneiras bizantinas. As personagens em suas pinturas são sempre calmas e pacíficas. Mais tarde, sua arte se tornou o ideal quando se fala em pintura de igrejas e arte icônica. Rublëv foi canonizado em 1988, pela Igreja Ortodoxa Russa.

Teófanes, o Grego (Θεοφάνης)

Foi um artista grego bizantino e um dos maiores pintores de ícones da Moscóvia, professor e mentor de Andreij Rublëv. Teófanes nasceu na capital do Império Bizantino, Constantinopla (1340). Em 1370, mudou-se para Novgorod e, em 1395, para Moscou. Teófanes conhecia filosofia e tinha uma ampla erudição. Decorou em afresco as paredes e tetos de várias igrejas, entre elas: A Igreja da Transfiguração na Rua Ilin, em Novgorod (1378), a Igreja da Natividade de Maria (1395) e a Catedral da Anunciação, ambas no Kremlin, junto com Andreij Rublëv e Prokhor de Gorodets (1405). Sua morte data-se do ano de 1410.

Prokhor de Gorodets (Прохор с Городца)

Pintor medieval russo de ícones, possivelmente o professor de Andreij Rublëv. Junto com Rublëv e Teófanes, o Grego, Prokhor pintou vários afrescos na velha Catedral da Anunciação, no Kremlin, em 1405 (a Catedral foi reconstruída em 1416). Historiadores russos atribuem um número de ícones dessa catedarl a Prokhor, incluíndo as obras na iconóstase da igreja.

Andreas Ritzos

Iconógrafo que viveu na segunda metade do século XV. Seus trabalhos são encontrados na Itália e na Ilha de Patmos.

Photis Kontoglou (Φώτης Κόντογλου)

Nasceu em 1895. Após a morte de seu pai, seu tio, o padre e monge Stephan Kontoglou, abade do mosteiro de Saint Paraskevi, assumiu sua custódia. Em 1923, em viagem para Monte Athos, descobriu a hagiografia bizantina e, desde então, lutou para o renascimento da arte. Durante a década de 1950-60 chegou ao ápice de sua eficácia hagiográfica. Escreveu vários ícones portáteis e murais em afresco. Considerado o restaurador da hagiografia ortodoxa e grande fiel da tradição ortodoxa. Repousou em 13 de julho de 1965, devido a complicações sofrido em um acidente automobilístico.



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segunda-feira, 28 de junho de 2010

LIVRO SOBRE ÍCONE: S. Licari

O Ícone: uma escola de oração

O padre Saverio Licari, é natural de Palermo, na Itália, e Mestre em Teologia Moral. Com um currículo rico e diversificado, utiliza do seu conhecimento para nos aproximar da iconografia cristã bizantina por meio desse pequeno livro.

Subtitular um livro como "Uma escola de oração", sugere que em seu interior o autor nos aponte passos de uma oração centrada no seu objeto de exposição, ou seja, "o Ícone". E assim, o pe. Licari o fez muito bem. Inicialmente, apresenta a fundamentação teológica e bíblica da imagem sagrada. Em seguida, oferece a meditação, a interpretação e a descrição teológico-espiritual do que é considerado o "ícone dos ícones": a Santíssima Trindade, do santo monge iconógrafo Andreij Rublev.

De uma forma simples e acessível esse livro é uma introdução sobre o tema. Introdução esta que nos apresenta recheado de passagens de documentos da Igreja católica ocidental, o que nos torna mais próximos dessa riqueza artística-espiritual dos santos ícones.

Editora: Loyola
Ano: 2010
Número de página: 126
Formato: Médio 14 x 21 cm
ISBN: 85.15.03725-4

Uma boa referência bibliográfica e que deve constar nas estantes de todos os interessados no assunto.


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domingo, 27 de junho de 2010

A OLIFA


Sobre um ícone, o verniz, não serve somente para proteger a pintura da umidade, da ação da luz ou do ar e lesões mecânicas. O verniz do ícone, a olifa, é um óleo que penetra e unifica as diversas demãos de camadas de tintas para dar uma harmonia típica, feita de luz e profundidade e para preservar a vivacidade das cores ao longo dos séculos.

Todavia a olifa também apresenta defeitos: ela seca muito lentamente, absorve a fumaça das velas e, ainda, forma sobre o ícone antigo uma camada escura. Acreditava-se até o início do século passado que os ícones tinham um tom muito escuro, porém a primeira restauração científica fez aparecer, ao contrário, as cores vivas e alegres da Idade Média. Além disso, as camadas densas de olifa são sensíveis às mudanças de temperatura. Mas, se o envernizado for bem feito, esses problemas podem ser evitados.

COMO FAZER

Aquece-se em um recipiente o óleo de linhaça de boa qualidade. Quando a começar a sair fumaça (uma temperatura de 285 graus), se retira do fogo e adicione, mexendo com um bastão, o pó que serve como secante, na seguinte proporção:

- Acetado de Cobalto 3% (3 g/litro);
- Óxido de Chumbo* 7 - 8%.

Após o esfriamento do óleo pode ser filtrado para retirar o excesso de impurezas, em seguida despeje em um frasco limpo, transparente e com tampa. Para clarear essa solução, exponha-o à luz ou ao sol, certificando que o frasco esteja bem fechado. Alguns iconógrafos dissolvem alguns cristais de Damar em terebintina e acrescentam ao óleo. Na Grécia essa olifa é exposta ao sol durante quarenta dias para obter uma melhor qualidade.

A preparação da olifa é bem difícil e nem sempre é bem sucedida. Também é difícil encontrar o pó secante em pouca quantidade.

MODO DE USAR


Após ter analizado cuidadosamente e removida toda poeira do ícone, despeje a olifa sobre a superfície do ícone e espalhe com os dedos ou com um pincel macio. A camada deve ser bastante espessa. O ícone deve permanecer na horizontal. Para proteger de poeiras, cubra com uma tela. Depois de 20 minutos pode-se alisar a olifa com a palma da mão, porque é absorvido de modo irregular. Depois de outros de 20 minutos o excesso de olifa pode ser retirado com as mãos.
Deixe secar sob a tela, por mais ou menos um dia e meio. Pode, ainda, dar mais duas demãos de olifa, sendo que cada uma dessas demãos seja uma camada mais fina. Ao final do trabalho a camada deve estar suave e levemente brilhante, como se estivesse passado cera.
Quando o ícone estiver completamente seco (por vezes, ocorre algumas semanas), pode cobrir com uma demão rápida de goma laca. Assim a poeira não se fixa à superfície.

Depois do envernizamento o ícone está pronto.

Toda descrição acima não transmite a experiência de gerações de iconógrafos; torna-se necessário o contato com um iconógrafo experiente. Além disso, nenhuma outra técnica de pintura (a óleo ou aquarela) oferece a possibilidade de expressão da têmpera a ovo que responde às exigências de uma estética própria do mundo espiritual do ícone.

* é bom lembrar que o Óxido de Chumbo é altamente tóxico e merece um cuidado extremo.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

A ICONOSTASE


As Igrejas Católicas Bizantinas são projetadas para manifestar, em sua arquitetura e organização, o Reino de Deus aqui na Terra. Para entender o que é uma iconostase (rus.: иконостас) precisamos entender os diferentes espaços do edifício da igreja.

O Santuário, também conhecido como o Santo dos Santos (parte destinada ao clero), é a área elevada localizada na parte frontal da igreja. Normalmente essa área se encontra na parte mais Oriental do edifício da igreja para mostrar que estamos ansiosos para a vinda de Cristo, junto com o nascer do sol. O Altar ou a Santa Mesa torna presente, de um modo particular, a mesa do Senhor, ao banquete para o qual todos são chamados. Na Santa Mesa são colocados o Livro dos Evangelhos e os dons durante a Divina Liturgia e, no centro da mesa, está o tabernáculo que contém a Eucaristia reservada.

A Nave é a parte central do edifício da igreja que manifesta na Terra o caminho do mundo em direção a Cristo. Neste espaço encontramos todos os fiéis (pessoais e espirituais). Cercando o povo, nas paredes, estão os ícones (sacramentais que invocam a presença do ser representado) festivos, mostrando a ação de Deus na história da salvação. E, finalmente, diretamente acima de nós, na cúpula (isso quando houver), estaria um grande ícone do Pantocrator ("Aquele que tudo rege"). A paritr deste ícone de Cristo, pende um lustre bem elaborado que nos mostra que Cristo é a "Luz do Mundo".

O Nártex é a entrada da Igreja. Ela representa a Terra. Na ação da passagem do nártex apra a nave da igreja começa a nossa jornada para o Reino dos Céus. No batismo nós primeiro renunciamos o que mundano e nos voltamos para Cristo. Esse movimeto do nártex à nave mostra o progresso em nossa vida espiritual. Da mesma forma, no final de cada Liturgia somos enviados a irmos "em paz", carregando Cristo em nós a fim de espalhar a boa notícia com nossas palavras e ações.

Se o lugar onde se encontra o nártex e a nave é especial, também o é o espaço onde une o altar e a nave. Neste lugar "o Céu e a Terra se unem". Deus e o homem se encontram.

A Iconostase é a parede de ícones que fica no ponto de encontro do santuário com a nave. É, literalmente, uma "estante para ícones". Não é uma estrutura que divide as pessoas do altar, mas é um marcador da unidade das duas realidades: terrena e divina. Os próprios ícones são objetos que unem o mundo criado com o divino. Os ícones são as janelas através do qual há esse encontro. Muito mais que a arte religiosa estilizada, eles são sacramentais, ou seja, tornam presente a realidade dos divino.

Quando contemplamos os ícones das iconostases, vemos os caminhos que Deus percorre em nosso mundo (é a história da Salvação). O ícone da Mãe de Deus (Theotokos) que se encontra no lado esquerdo da porta central, mostra-nos não só a mãe que nos deu o Cristo; não apenas o modelo de humildade e obediência; nao apenas o modelo da própria Igreja. Este ícone não nos mostra apenas a Theotokos, mas o próprio Jesus Cristo, filho de Deus. No lado direito da porta central se encontra um ícone de Cristo, como ele está hoje. E, entre estes dois ícones, encontramos os Santos Evangelhos e a Eucaristia.

Entre estes dois ícones tembém podemos encontrar um conjunto de três portas, sendo que a mais importante é a porta central, chamada Porta Real (ou do Paraíso) e abrem para permitir que Deus entre em nossas vidas. Através destas portas qeu o Santo Evangelho, a Eucaristia e todas as bênçãos nos provêm quando nos encontramos na Igreja. Nela está representada o princípio da nossa salvação, ou seja, o ícone da festa da Anunciação, onde o Arcanjo Gabriel aparece pintado sobre a porta da esquerda e a Virgem Santíssima sobre a porta da direita. Além disso, vemos os quatro evangelistas que, com seus escritos, nos permitem conhecer os mistérios e acontecimentos de nossa salvação. As portas reais permanecem abertas durante os serviços, de modo que possamos olhar para frente e irmos ao encontro de Cristo.

Ao lado dos dois principais ícones de Cristo e da Theotokos estão as portas dos diáconos. Nestas portas vêm frequentemente representados com as imagens dos Arcanjos ou de algum diácono, pois através delas é que passam aqueles que servem a Divina Liturgia.

Ainda, seguindo a iconostase, temos, ao lado dessas portas, os ícones dos santos padroeiros da paróquia. E, acima deste nível de ícones temos uma linha de ícones festivos, que retratam todos os eventos importantes na história da salvação. Em algumas iconostases, diretamente acima da porta real, temos o ícone da Ceia Mística, onde retrata Cristo na última ceia junto com os apóstolos. E, em outros casos, vemos neste mesmo lugar, o ícone da Crucificação.

Nas igrejas de origem russa, a iconostase teve um grande desenvolvimento também em altura. Nas antigas igrejas bizantinas, as cenas teofânicas principais que se enquadravam e acompanhavam as celebrações litúrgicas eram, em geral, em mosaicos nas paredes. Na Rússia, onde frequentemente existiam igrejas de madeira, na impossibilidade de afrescar as paredes, a decoração se concentrava na iconostase. Isso contribuiu para o desenvolvimento da iconografia, pois os artistas compreenderam que cada ícone não era uma composição em si mesma, mas o elemento de um todo.

A história da Salvação é o contexto que ilustra toda a construção de uma iconostase. E, assim, pode-se admirar em vários planos ou em níveis de ícones (até seis) a representação de toda a Igreja Triunfante: os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os anjos e os santos. Todos colocados de uma ponta à outra, convergindo poara a composição central de Deésis, isto é, Cristo em majestade, tendo de cada lado a Virgem e São João Batista na atitude de intercessão. Quase sempre, temos também o plano dos ícones com as "doze grandes festas" do ano litúrgico bizantino.

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

O PANTOCRATOR: "Aquele que tudo Rege"


Meditação sobre o Pantocrátor


Ele é, ao mesmo tempo, o Filho de Deus humanado e o Deus que reina, que tudo rege, o Pantocrator. Ele é pintado ao mesmo tempo severo e manso. De toda a sua pessoa transpira a fragrância de perfume espiritual. De sua cabeça imaculada e da sua cabeleira se desprende uma refinada grandeza; dos seus olhos, amor, mas também seceridade, aquele de quem "percruta os corações e os rins"; do seu nariz equidade e misericórdia; da sua boca, paz e perdão; das suas faces, clemência e bondade; do seu pescoço e dos ombros, misericórdia e piedade; da sua mão direita, bênção e indulgência; da esquerda, que segura com força o santo Evangelho, se origina a Lei vivificante que conforta os abatidos; o seu queixo redondo manifesta doçura e longanimidade. Da sua boca emana o óleo da santidade; do manto que o envolve, como a nuvem ao sol, se efunde a imensidão do todo.

O Pantocrator infunde na alma devota todos os santos sentimentos, sendo ele, grande, poderoso, criador, onividente, suave, amigo dos homens, salvador, juiz, humilde, severo, misericordioso. Ele é, segundo a palavra de Ezequiel, "a Águia grande de grandes asas, que voa eterno e incorrupto sobre o mundo caduco". Para ele "mil anos são como o dia de ontem que passou". Ele é duro para os maus, ao passo que para os que crêem e os humildes é Sol imortal, Fonte de vida e vivificante. Ergendo para ele os seus olhos, estes gritam com júbilo: "Na luz gloriosa da tua face caminharemos para sempre".

Ele vigia lá em cima dia e noite, de manhã e de tarde, no inverno e no verão, sem mudança, eterno, desde antes dos séculos dos séculos e nos séculos dos séculos. O sol sensível nasce e se esconde, mas o Senhor não se cansa de abençoar da sua morada o mundo pecador. O Senhor vigia sereno sobre o mundo dia e noite, no século do século.

*Photios Kontoglou (1895-1965)



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sexta-feira, 21 de maio de 2010

LIVRO SOBRE ÍCONES: G. Parravicini

A Vida de Maria em Ícones

Giovana Parravicini, organizadora de várias publicações referentes à história da Igreja Russa, concede uma atenção a este livro com uma especial importância em apresentar o conhecimento da vida da Mãe de Deus pelas sagradas iconografias russas. A introdução desta obra fica ao encargo do Padre Stefano Di Fiores, teólogo mariano, onde ressalta que "o verdadeiro ícone de Maria [...] é aquele que manifesta seu mistério, isto é, que leva o cristão ao conhecimento e ao amor do Filho, do Espírito e do Pai".

Preciosos e raros ícones orientais, como pedrinhas de um mosaico, são dispostos para formar a vida da Virgem. O intinerário é acompanhado de um comentário que guia com facilidade o leitor na interpretação das imagens e símbolos.

Uma vida de Maria narrada com os escritos dos grandes Padres da Igreja ortodoxa, os hinos e os cânones da liturgia bizantina.

O caminho da beleza para entrar no coração do mistério cristão e deixar-se envolver pelo fascínio da Mãe "que carrega o Menino", que mostra e o entrega aos crentes.

Editora: Loyola
Ano: 2008
Número de páginas: 192
Formato: Brochura - 17 x 24 cm
ISBN: 85-15-03570-0

Grande relevância tem esta obra para os apreciadores da iconografia da Igreja Católica Oriental. É mais um referencial bibliográfico que não pode faltar na estante dos estudiosos sobre o assunto.

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terça-feira, 18 de maio de 2010

TIPOLOGIA ICONOGRÁFICA DE JESUS CRISTO

Neste tópico apresentaremos a tipologia dos ícones de Cristo que nos são representados de forma repetida e em vários aspectos. Assim enumeramremos os três tipos básicos: o Emanuel, o Mandilion e o Pantocrator. Num momento posterior apresentaremos os ícones mistéricos, ou seja, aqueles que apresentam os grandes mistérios da vida de Nosso Senhor e Deus Jesus Cristo.

Emanuel

A nomenclatura desse tipo nos advém da profecia de Isaías, quando diz: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e por-lhe-á o nome de Emanuel (Is 7,14). Emanuel, palavra de origem hebraica, significa Deus conosco.




Características Básicas

- Possui traços somáticos de um adolescente quase adulto refulgente de juventude;
- Usa as mesmas vestes do Cristo adulto;
- Sua fronte mais avantajada enfatiza a simbologia da sua inteligência e sabedoria.

Campo de Aplicação

Como vimos na tipologia iconográfica da Mãe de Deus, numerosíssimos ícones marianos (Odighítria, Eleousa, Galaktrotrophousa etc.) estão presentes a figura do Emanuel, dessa forma vemos que a personagem principal não é Maria, mas o Menino que ela leva nos braços.


Nos ícones festivos que Jesus aparece como criança. Dentre estes recordemos as representações do Nascimento de Jesus, da Adoração dos Magos, da Fuga para o Egito, da Circuncisão, da Apresentação no Templo, do Menino Jesus entre os doutores, dentre outros.
Cristo é apresentado no tipo Emanuel, que destaca o aspecto temporal de Cristo, no qual ele dá testemunho à verdade da encarnação: o Verbo de Deus que conheceu a idade da infância e da adolescência. Em todas as idades da sua jovem vida, Cristo permanece a mesma Sabedoria hipostática do Pai.

No ícone da Divina Sabedoria, o Emanuel aparece representando a Sabedoria que estava em Deus antes dos séculos. Este ícone possui sua inspiração no capítulo 9, do livro dos Provérbios. Partindo ainda desta inspiração o Emanuel se apresenta nos ícones chamados Anjo (ou Mensageiro) do Grande Conselho.

Nos ícone da Sinaxe dos Incorpóreos, o Emanuel aparece num escudo e a meio busto, rodeado de anjos. Este ícone é destinado às festas dos anjos, mas a reunião faz pensar numa espécie de decisão comum, anterior à encarnação, de levar ao mundo a notícia do futuro nascimento do seu Senhor e Criador.

Mandilion

O tipo iconográfico Achiropita (gr.: Não feito por mão humana) ou Mandilion é considerado, por sua grande importância, como o arquétipo e a fonte de toda imagem de Cristo.

Para essa tipologia possui duas tradições apócrifas importantíssimas. A primeira, fala de um retrato de Jesus ainda vivo milagrosamente impresso por Ele num tecido - o Santo Mandilion - e por Ele mesmo enviado ao Rei de Edessa, Abgar V. Este, ao receber o retrato milagroso, teria sido curado da lepra e, posteriormente, ter-se-ia feito cristão com todo o seu reino.

A segunda tradição refere-se à Verônica, que fala do retrato facial de Jesus, a caminho do Calvário, teria estampado milagrosamente no pano que aquela piedosa mulher lhe estendera.

Características Básicas

- Representada frontalmente e sem pescoço;
- Em geral possui o bigode fundido à barba bipartida;
- Sobre a testa escorre uma mexa de cabelo, sinal de pureza e elevação de espírito;
- A boca é, geralmente, representada pequena e os olhos grandes e acentuados.

O Mandilion não possui variantes ou subtipos, mas sim uma composição de cena do sagrado Rosto de Cristo, acrescentando ao Mistério outras representações referentes à sua glória.


Pantocrator

O tipo iconográfico do Pantocrator (gr.: Aquele que tudo rege) é a representaçao bizantina mais frequentemente usada. Ele é, ao mesmo tempo, o Filho de Deus humanado e o Deus que reina, que tudo rege. Ele é pintado ao mesmo tempo severo e manso.





Características Básicas

- Representado sempre entronizado, mesmo quando mostrado a meio busto;
- Apresenta o Evangelho na mão esquerda, em formato de livro ou rolo, às vezes aberto ou fechado;
- Sua mão direita permanece em atitude de bênção;
- Possui, em geral, auréola crucífera com as três letras que revelam o nome sagrado de Deus: Aquele que é.

Subtipo ou variante

Alguns tipos iconográficos, como O Salvador das Almas e O Salvador e Doador da Vida geralmente trazem o livro fechado.

O Rei dos reis e Cristo Sumo Sacerdote é uma das variações para a tipologia que ora apresentamos. Neste ícone Cristo está revestido com paramentos dos bispos, conforme os costumes do Oriente Bizantino. E no livro, em geral, se encontra escrito algo que intensifique o título, então, de um lado se encontra: O meu reino não é deste mundo, se meu reino fosse desse mundo (...) e do lado oposto: Tomai e comei, isto é o meu corpo entregue por vós em remissão dos pecados.

Há uma grande quantidade de variantes dessa tipologia, mas não são indentificadas pela nomenclatura, quando esta vem escrita, ou pelo que se apresenta escrito no livro quando aberto. As inscrições no livro do Pantocrator, conforme postagem anterior (clique aqui!), geralmente são trechos do livro dos Evangelhos referentes ao Cristo Senhor.

Fonte bibliográfica:
DONADEO, Irmã Maria. Ícones de Cristo e dos Santos, São Paulo: Paulinas, 1997;
DUARTE, Adélio Damasceno. Ícones: E o Verbo se fez rosto e armou sua tenda entre nós, Belo Horizonte: FUMARC, 2003;
GHARIB, Georges. Os Ícones de Cristo: História e Culto. São Paulo: Paulus, 1997;
TREVISAN, Armindo. O Rosto de Cristo: A formação do Imaginário e da Arte Cristã. 2a ed. Porto Alegre: AGE, 2003.



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terça-feira, 13 de abril de 2010

RELEITURA ATUAL DO PANTOCRATOR BIZANTINO

A arte cristã primitiva proporcionou aos artistas uma vasta aplicação dos seus primeiros modelos. Depois que a imagem do Pantocrátor (gr.: Παντοκράτωρ) fora aplicado nos primeiros ícones, surgiram, posteriormente, grandes imagens da mesma tipologia feitas por artistas ocidentais contemporâneos, porém resgatando a mesma fonte: a iconografia bizantina.

Cláudio Pastro (São Paulo, Brasil, 1948) e suas "linhas essenciais" criaram uma nova espécie de "escola" de arte sacra brasileira, tornando-se referência nacional e internacionalmente.

Kiko Argüello (Leão, Espanha, 1939) nos traz, não só na arte (plástica e música), como também no culto, um modo antigo e sempre novo de se portar diante do Corpo de Cristo.


Dom Ruberval Monteiro, osb (Rolandia, Brasil, 1961) que, com sua espiritualidade beneditina, nos revela a face do Deus-Conosco através de suas linhas e cores, integrando a tradição da arte cristã no mundo contemporâneo e na Igreja de hoje.



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terça-feira, 6 de abril de 2010

TIPOLOGIA ICONOGRÁFICA DA MÃE DE DEUS

A tradição ao referir-se a São Lucas, a quem primeiro pintou a Virgem, indica também que ele tenha pintado outros três ícones que são a base dos três tipos fundamentais sempre repetidos nos ícones: a Odighítria, Eleúsa e a Orante. Veremos cada um por si e seus subtipos ou variantes.


ODIGHÍTRIA

A tipologia da Virgem Odighítria (gr.: Οδηγήτρια; rus.: Одигитрия), que significa literalmente "Aquela que indica (guia, conduz, mostra) o Caminho", mostra, com um gesto indicativo da Virgem apontando na direção de Jesus, o caminho a ser seguido. Segundo uma auto-definição do próprio Jesus, quando disse: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim (Jo 14, 6).


Características básicas:

- Posição ereta e atitude frontal ou ligeiramente voltada para o lado da Virgem;
- O Menino abençoa com a mão direita e, com a esquerda segura o pergaminho;
- O olhar da Mãe está direcionado para o espectador. É pelo olhar que a Odighítria se distingue dos outros tipos;
- A mão da Virgem que indica o Caminho está pousada sobre o peito.

Alguns subtipos ou variantes:

Portaitissa (gr.: Πορταΐτισσα) ou Guardiã da Porta, também conhecida por Porta do Céu. Uma característica única desse ícone é o que parece ser uma cicatriz na bochecha direita ou no queixo da Virgem Maria. Outro famoso ícone que obedece a essas mesmas características é o da Virgem de Czestochowa.


Perpétuo Socorro (gr.: Αμόλυντος, imaculada) ou Virgem da Paixão. A particularidade fica ao encargo do Menino Jesus que agarra firmemente com as duas mãos a mão direita da Virgem, enquanto olha, assustado, os instrumentos de sua futura paixão.



Tricherousa (gr.: Τριχερούσα; serv.: Тројеручица) ou das Três Mãos. Em geral, neste ícone, a Virgem segura o Menino Jesus com a mão esquerda e a aponta com a direita, enquanto uma terceira mão aparece abaixo. Essa terceira mão fora posta posteriormente a pedido de S. João Damasceno ainda durante a luta iconoclasta, como um pedido de restituição de sua mão esquartejada.

Aquela que deu ao mundo o Cristo-Emanuel tornou-se a Guia para todos aqueles que buscam o caminho que conduz a Ele. Dele, eles recebem a Verdade e a Vida.


ELEÚSA

Eleoúsa (gr.: λεούσα) significa "a terna", "a compassiva"; assim, quando aplicada à Mãe de Deus, passa a ser um dos títulos iconográficos marianos mais conhecidos: Virgem da Ternura. Esse título é dado pelo afeto que une Mãe e Filho e exalta a humanidade de Cristo, em contraste com o tipo Odighítria, em que a ênfase incide na Divindade dele.

Características básicas:

A Virgem leva o Menino em seu braço direito (dexiocratoúsa), aperta-o contra si e, inclinado a cabeça, toca, com sua face, a face do Filho. Este, afetuosamente, acaricia a Mãe com sua mãozinha. Essas são as principais características da tipologia iconográfica da Theotókos Eleúsa.

Alguns subtipos ou variantes:

Glykophilousa (gr.: Γλυκοφιλούσα; rus.: Гликофилуса), que significa "a do beijo doce". Como o nome indica é expressa, principalmente, através dos carinhosos beijos.






A Pelagonitissa (gr.: Πελάγων, região da planície da Grécia) esse título deriva do local geográfico onde é principalmente cultuado. É uma variante da Theotókos Glykophilousa, onde apresenta a Mãe segurando o Menino nos braços, enquanto este se encontra de costas para o espectador, porém seus olhos se direcionam para quem o olha. A Virgem com uma das mãos agarra firmemente (com mão fechada) a perna do Menino.

Galaktotrophousa é outro subtipo que significa Aquela que amamenta ou, como também é conhecida, Madona do Leite. Apresenta um conceito bastante difundido no Ocidente, a Virgem Maria que amamenta o Menino Jesus e nos lembra a passagem bíblica em que uma anônima diz: Feliz o ventre que te trouxe e felizes os seios que te amamentaram (Lc 11,27).

Acolhestes o Verbo em teu seio, mandastes em quem governa todas as coisas, ó Puríssima, alimentaste com leite a quem, com um gesto, alimenta o universo inteiro.


Orante

A tipologia iconográfica da Virgem Orante pode ser representada de três formas principais:


- A primeira aparece sozinha, com as mãos voltadas para o alto e em posição frontal;
- A segunda, se apresenta com o Menino solto sobre o peito materno (em eixo vertical com a Mãe), em posição frontal, frequentemente circunscrito em uma espécie de medalhão de forma circular (clypeus);
- A terceira, aparece voltada para o lado e com uma ou as duas mãos em atitudes de súplica, intercessão. Este tipo de Virgem Orante é encontrado mais comumente nos ícones da Deésis.

Em todas essas representações da Virgem Orante, ela nos aparece como a imagem da Mediadora entre os fiéis e Cristo, como a Intercessora, como o modelo de oração ou como a Suplicante, tal representação é identificada pelas mãos elevadas e com as palmas voltadas para os céus.


Alguns subtipos ou variantes:

Platytera (gr.: Πλατυτέρα) significa A mais vasta, ou Platytera ton ouranon (gr.: Πλατυτέρα τν oυρανν) A mais vasta que o céu. Também conhecida como Virgem do Sinal. É um ícone do tipo Orante, que carrega o Menino no peito em volta de uma forma circular. O Menino, geralmente, abençoa ora com uma, ora com as duas mãos. Ambos, Mãe e Filho portam uma atitude frontal e seus olhos se voltam para o espectador.


Uma linda variante do mesmo tipo é o ícone da Mãe de Deus do Cálice de Inesgotável Tesouro (rus.: Неупиваемая Чаша), que mostra Maria no altar, onde nenhuma mulher pode servir e oferta o Cristo Eucarístico. A verdade é que Maria está sempre presente na Santa Mesa. Deus não pode tornar-se carne humana, exceto pelo ventre da Mãe de Deus e da sua vontade e cooperação com Deus. Neste ícone o Menino aparece dentro de um cálice de ouro no altar, abençoando com as duas mãos, geralmente representado a meio busto. Enquanto a Virgem aparece coroada, em casos raros apresenta sem a coroa.

A Virgem da Deésis (gr.: δέησις) ou Intercessão, é um subtipo da Virgem Orante que aparece sempre ladeado com Cristo. Este ícone não é um ícone propriamente mariano, pois a Virgem está voltada para seu Filho, colocando-o em primeiro plano.


Existem ainda inúmeros casos em que aparece a tipologia iconográfica da Orante. Nos ícones das Festas Litúrgicas ainda aparecem a Virgem como Orante nos ícones da Ascensão de Cristo, da Crucifixão, da Anunciação, de Pentecostes e outros.


Cristo, enquanto nascido do Pai indescritível, não pode ter imagem. Com efeito, que imagem poderia corresponder à Divindade, cuja representação é absolutamente proibida pela Sagrada Escritura? Todavia, uma vez que Cristo nasceu de uma Mãe descritível, Ele naturalmente tem uma imagem que corresponde à de sua Mãe. E se não pudesse ser representado pela arte, dir-se-ia que nascera apenas do Pai e que não se encarnou.



Fonte bibliográfica:

DONADEO, Irmã Maria. Ícones da Mãe de Deus. São Paulo: Paulinas, 1997;
DUARTE, Adélio Damasceno. Ícones: E o Verbo se fez rosto e armou sua tenda entre nós. Belo Horizonte: FUMARC, 2003;
PARRAVICINI, Ciovanna (org.). A vida de Maria em ícones. São Paulo, Loyola, 2008.


A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

domingo, 28 de março de 2010

Mosteiro de Chevetogne

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sorteio de Páscoa!


"Tarde te amei, ó Beleza, tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei!"

Como outros Agostinhos somos convidados a reconhecer a enamorar Deus através da beleza e, para nos ajudar nesse reconhecimento e romance, convidamos - devido ao grande sucesso do sorteio do Ícone de Cristo Esposo - a participarem do sorteio do livro: Via Pulchritudinis - "O Caminho da Beleza".

(clique aqui para ler a resenha do livro)

Regras / Como Participar:

A ou O participante que quiser concorrer basta:

1. Ser SEGUIDOR do blog (para quem ainda não é seguidor, basta clicar na caixinha "seguir" e escolher uma das contas (google/yahoo/twitter) e optar por seguir publicamente);

2. No CONTATO, através do formulário, deve escrever a frase: "A Beleza salvará o mundo!";

3. Escrever um COMENTÁRIO, somente no final deste post, dizendo qual a melhor postagem que você já leu neste blog.

* Para validar a sua participação neste sorteio deve cumprir essas três simples regrinhas.

Aumentando sua chance de ganhar

Cada seguidor terá direito a concorrer uma única vez.

Aqueles que, além de seguir, DIVULGAR o sorteio poderão concorrer com mais uma frase. É só enviar o link da divulgação e a frase: "Estou divulgando", através do mesmo formulário.

As inscrições iniciam hoje, dia 25 de março de 2010 (festa da Anunciação da Ss. Mãe de Deus, a sempre virgem Maria) e finalizam no dia 03 de abril de 2010 (Sábado Santo). O sorteio será realizado no dia 04 de abril de 2010 (Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo - Η Ανάστασις) e o vencedor ou a vencedora será anunciado no mesmo dia.

* Esse sorteio é válido para os residentes no Brasil e exterior, sendo que, os moradores do exterior concordem em arcar com o frete.

Será escolhido aleatoriamente um número de 1 a x (sendo x o número total de participantes) e será premiada a pessoa com a frase de número correspondentes ao sorteado.

A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

Resultado do 1º Sorteio

Hoje é o prelúdio de nossa Salvação
e a Manifestação do Mistério
preparado desde a eternidade:
o Filho de Deus torna-se Filho da Virgem
e o Arcanjo Gabriel anuncia a graça.
Por isso, com ele clamamos à Mãe de Deus:
"Salve, ó Cheia de Graça, o Senhor é contigo!"

Hoje a liturgia católica celebra, com solenidade, a festa da Anunciação do Anjo à Santíssima e Bem-Aventurada Virgem Maria. E, por isso, escolhemos esta data para anunciarmos o vencedor ou a vencedora do nosso 1º Sorteio do Atelier de Iconografia SANTA CRUZ.

Foram um total de 124 participantes de diversas partes do Brasil.

Tá na hora de descobrir quem vai ganhar o Ícone de Cristo Esposo, de 30 x 40 cm, escrito em 2009!

Utilizei o programa "Sorteio Virtual Mais" para realizar o sorteio.

E o número sorteado foi...


O número sorteado foi o 115 e corresponde ao comentário do...



PARABÉNS, MARCELOOOOO!!!!


Ainda hoje, mais tarde, iniciaremos um sorteio relâmpago do livro "Via Pulchritudinis - O Caminho da Beleza", resenhado na postagem anterior a esta.

PARTICIPEM!!!


A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

segunda-feira, 22 de março de 2010

LIVROS SOBRE ÍCONES: Via Pulchritudinis

O Caminho da Beleza

Esta obra é o resultado da Assembléia Plenária do Pontifício Conselho da Cultura, ocorrida em 27 a 28 de março de 2006 e visa responder aos desafios da cultura contemporânea, especialmente à indiferença religiosa e a descrença. Possui projetos e propostas concretas para ajudar toda a Igreja a seguir a Via Pulchritudinis, como caminho de evangelização das culturas e de diálogo com os não-crentes, conduzindo-os a Cristo que é "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6).

A tradução é de responsabilidade do arquiteto e artista sacro Cláudio Pastro e revisado pelo Mosteiro de Nossa Senhora da Paz.

A primeira parte nos é mostrado a realidade atual, cujo documento vem propor uma resposta, que é a segunda parte, sendo subdividida em outros três tópicos. A terceira parte da Via Pulchritudinis está subdividida em outros três tópicos, passando pela Beleza da Criação, Beleza das Artes e pela Beleza do Cristo - modelo e protótipo da santidade cristã. Ao final de cada tópico explanado é sugerida algumas Propostas Pastorais que aprofundam o tema numa realidade mais vivencial.

Editora: Loyola
Ano: 2007
Número de páginas: 74
Formato: Médio 16,5 x 24,3 cm
ISBN: 85-15-03337-9

Esta obra é um referencial para todos os interessados em evangelizar através da Beleza. É um documento base para artistas sacros, sacerdotes, professores, catequistas e todas as pessoas interessadas não só em iconografia, mas na mística de uma busca de Deus através da Beleza, ou seja, buscar a Deus em Deus.



A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Última Semana para o Sorteio



Está chegando o dia do encerramento do 1º Sorteio do Atelier de Iconografia SANTA CRUZ, que acontecerá no dia 23 de março.

Conforme o regulamento (veja aqui), os participantes DEVEM ser SEGUIDOR do blog e enviar a frase"Quero um Ícone", através do formulário que está no contato.

Essas DUAS etapas DEVEM ser obedecidas, pois são os critérios do regulamento.

O sorteio será realizado no dia 25 de março de 2010 (Festa da Anunciação da Santíssima Mãe de Deus, a sempre virgem Maria) e o vencedor será anunciado no mesmo dia.

A todos os participantes (que já contabiliza mais de 100) e leitores, desejo uma Santa Quaresma.

Continuem acompanhando nosso blog e espero que as informações aqui contidas estejam sendo úteis aos amantes da iconografia e dos Santos Ícones.

Em breve teremos um sorteio relâmpago!

Um grande abraço a todos!

Walter Welington.


A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

quinta-feira, 11 de março de 2010

ÍCONE DA SANTÍSSIMA TRINDADE



ESTRUTURA GEOMÉTRICA

Como todo ícone, este também foi "escrito" com base numa estrutura geométrica muito precisa, na qual cada elemento tem uma proporção estabelecida em relação aos outros e encontra o seu lugar segundo o seu significado e o seu valor simbólico. Essa estrutura dá equilíbrio e harmonia a todo o conjunto.

Toda composição do ícone de Rublev foi construída sobre a Cruz, que constitui a estrutura geométrica principal. A sua vertical, como eixo central (E-P), liga a árvore, a cabeça do anjo central, o cálice e o retângulo dos mártires. A linha horizontal da cruz (F-G), liga a cabeça dos anjos laterais, passando pela fronte do anjo central, desde a arquitetura até o monte.

Os anjos aparecem sob um círculo que indica a plenitude e a perfeição e sublinha a circularidade dos olhares de Amor das Três Pessoas. A mão do anjo central é o centro da circunferência, onde estão as três cabeças.

Também o cálice, com a cabeça do cordeiro imolado sobre o altar, está dentro de um círculo, em torno do qual se concentram todos os outros, constituindo assim, o centro móvem do ícone. Acima da cabeça do anjo central (E) forma a ponta do triângulo, cuja base (A-B) é a linha inferior do ícone. O segundo triângulo se apresenta inverso. Sua base (C-D) é a linha superior do ícone.

Todo o ícone está inscrito em um octógono. "O número oito simboliza o poder celestial na Terra, o dia após o sétimo dia da criação, a ressurreição de Cristo e o começo da perfeição. A figura geométrica octógono, já é símbolo da perfeição desde a Antiguidade. É a fusão entre o infinito, o céu (círculo) e a área delimitada, os quatro pontos cardeais terrenos (quadrado)", o número simbólico dos quatro evangelistas: é o sinal da universalidade da Palavra.

O espaço compreendido entre os dois anjos laterais assume a forma de um cálice que sobe de baixo: o Pai e o Espírito Santo "contém" o Corpo e o Sangue de Cristo.

OS TRÊS ANJOS

Os três anjos, perfeitamente iguais e, todavia diferenciados, representam um só Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


É próprio da Santíssima Trindade diversificar, quanto ser una e indivisível, na sua essência e nas suas manifestações, embora na diversidade das Pessoas. Conhecemos o Pai através do Filho: Quem me vê, vê o Pai (Jo 14,19). Conhecemos o Filho através do Espírito Santo: Ninguém pode dizer Jesus Cristo é o Senhor, senão por meio do Espírito Santo (1 Cor 12, 3).

Os cetros idênticos indicam a igualdade do poder do qual cada anjo é dotado. A diversidade é expressa através das cores das roupas, mas sobretudo pela atitude pessoal de cada um em relação aos outros.

No anjo da esquerda se reconhece a figura Pai, no anjo central a do Filho e no anjo da direita a figura do Espírito Santo.

O PAI

O anjo da esquerda, o Pai, veste um manto lilás sobre uma túnica azul, símbolo da sua divindade. O lilás é uma cor evanescente, quase transparente, sinal do mistério e da transcendência.

O seu manto cobre os seus dois ombros, ao contrário do Filho e do Espírito, porque Ele não é enviado, mas envia os outros. Este seu envio é indicado também é indicado pelo pé esquerdo, que parece estar iniciando um passo de dança, ao qual o Espírito, enviado ao mundo depois do Filho, responde.

Tudo converge para ele, como para a fonte: os outros dois anjos, a rocha, a casa e a árvore. Está estático, reto, porque esta pessoa é a origem de si mesma: é o sinal da majestade e a referência para os outros dois.

O gesto da mão e o olhar parecem confiar uma missão ao Filho que a acolhe, curvado, em sinal de consentimento. As suas mão não tocam a Terra-altar, mas a abençoam com os dois dedos da mão direita levantados; Ele não está no mundo. A cabeça inclinada indica que ele acolhe a oferta amorosa do Filho.

O FILHO

O anjo central, o Filho, traja a túnica vermelha: simbolo da natureza humana assumida na encarnação; o manto azul é sinal da natureza divina da qual se "vestiu" depois da sua vida na terra e cobre um só ombro, porque Ele é enviado pelo Pai. A estola dourada indica a sua missão vitoriosa do Cristo "sumo sacerdote", que se deu a si mesmo para a salvação do mundo e ressuscitou.

O seu corpo curvado e o olhar de Amor voltado para o Pai indicam a aceitação e a docilidade à vontade paterna. Está comunicando com o Pai a respeito da missão que cumpriu.

A sua mão direita, apoiada à Terra-altar, é a mais próxima do cálice da oferta, porque ele é a oferta simbolizada pela cabeça do cordeiro. A mão reproduz o gesto de abençoar do Pai e o ato de apoiá-la à Terra-altar, indica a sua descida ao mundo através da encarnação; os dois dedos são símbolo das suas duas naturezas: Ele é plenamente Deus e plenamente homem.

O ESPÍRITO SANTO

O anjo da direita, o Espírito Santo, traz a túnica azul, símbolo da sua divindade, um manto verde-água, cor da vida, do crescimento e da fertilidade. No campo espiritual o verde é o símbolo da força vivificante do Espírito, que ressuscitou Cristo e comunicou ao mundo a plenitude do significado da Ressurreição.

É Ele quem dá a vida: o Espírito de Amor e da comunhão. Dos três, este é o anjo que tem a expressão mais reservada.

A sua figura é a mais curvada sobre a mesa, em atitude de escuta, de humildade e de docilidade. Revela-nos um aspecto novo do Amor, tipicamente feminino, que é também necessidade de ser acolhido, protegido, para ser fecundado.

A sua mão pendente sobre a Terra-altar indica a direção da bênção: o mundo ao qual o Espírito dá vida e crescimento, fazendo germinar o cálice do sacrifício e o seu fruto.

O Espírito está participando profundamente do diálogo divino e está pronto para ser enviado ao mundo para continuar a obra do Filho. O manto, apoiado sobre um dos seus ombros e o pé que está respondendo à dança iniciada pelo Pai, são símbolos do seu estar preparado para partir para cumprir a missão que lhe foi confiada: Quando o Espírito vier, Ele vos guiará a verdade toda inteira... dirá tudo que já foi dito e lhes anunciará as coisas futuras (Jo 16, 13).

Todo o simbolismo iconográfico do ícone da Trindade nos mostra a tese eclesiológica fundamental: a Igreja é uma revelação do Pai no Filho e no Espírito Santo.

OS OUTROS ELEMENTOS

Atrás do Pai se vê a casa de Abraão, que se tornou templo, morada do Pai e símbolo da Igreja, sua Filha, porque "corpo" de Cristo, segundo a teologia paulina.

O carvalho de Mambré se transforma na árvore da vida: a cruz de Cristo, o homem novo, pagou o resgate da humanidade.

A rocha-monte atrás do Espírito Santo é, ao mesmo tempo, símbolo de proteção, de lugar "teofânico", isto é, lugar onde Deus se manivesta e símbolo da ascensão espiritual.

O vitelo ofertado por Sara numa bandeja se torna o cálice eucarístico.

O ouro, símbolo da luz divina: o fundo e as auréolas douradas são símbolos da luz divina, como o sol é fonte de toda luz e cor.

No ícone a luz não é natural, mas espiritual; provém da graça recebida, por meio do Espírito, antes de tudo pelo iconógrafo, na contemplação do mistério que ele vai representar, depois por quem contempla o ícone com a mesma atitude de oração.

Fonte bibliográfica:
SENDLER, Egon. L'ICONA: immagine dell'invisibile - Elementi di teologia, estética e tecnica. Milano: San Paolo, 1985.
Comunità Missionaria di Villaregia. Ícone da Santíssima Trindade. Disponível em: www.cmv.it
Wikipédia: A enciclopédia livre. Catedral de Aachen. Disponível em: pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Aachen


A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!