
Há duas formas de se perceber os símbolos presentes nos santos ícones, de formas indiretas e diretas.
Os símbolos perceptíveis de forma indiretas são, como já dissemos, aqueles que se encontram na construção do esquema iconográfico, ou seja, as figuras geométricas que são esboçadas desde o projeto, antes de receber a imprimação na madeira e as camadas picturais.
Já os símbolos que são percebidos de forma mais diretas são aqueles que estão diante dos olhos, mas justamente por ser um símbolo, coloca um sentido a mais naquilo que se vê. É a teologia simbólica presente no ícone. De acordo com Mircea Eliade, quando há a manifestação do sagrado num objeto qualquer, este torna-se uma outra coisa e, contudo continua a ser ele mesmo, porque continua a participar do meio cósmico envolvente.
Assim, num ícone do Batismo de Jesus Cristo (Θεοφάνεια τοῦ Κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χρηστοῦ), por exemplo, a ÁGUA é percebida diretamente na imagem apresentada, mas não o seu sentido; a água é uma representação simbólica de purificação e morte: submerge o homem velho e emerge das águas o homem novo. A água possui a virtude purificadora. A imersão do batismo é regeneradora, opera um renascimento, no sentido de que há morte e vida.
A água também é vista como “fonte da vida”, associando à fertilidade e opondo-se ao deserto. Deus é visto como “fonte de água viva” e a alma como o cervo sedento em busca da água viva (cf. Sl 42, 2-3).
Um símbolo negativo também está agregado à imagem da água, como por exemplo, o dilúvio.
O ALTAR traz uma simbologia toda em particular. É o lugar onde o Sagrado se condensa com maior intensidade. Sobre o altar se cumpre o sacrifício. Simboliza o centro do mundo, o lugar e o instante em que um ser se torna sagrado. É a mesa do banquete eucarístico, no cristianismo quase sempre celebrado sobre o túmulo de um mártir.
A ÁRVORE é um dos símbolos mais significativos e mais difundidos. Na iconografia e literatura cristã há uma relação simbólica entre a árvore do Paraíso e a cruz de Cristo que “nos devolveu o Paraíso” e que é a “verdadeira Árvore da Vida”.
A árvore da vida está plantada no meio do Paraíso rodeado pelo rio de quatros braços (Gn 2, 9-10). Anuncia a salvação messiânica e a sabedoria de Deus (Ez 47,12; Prov 3,18). A árvore da vida diz respeito somente àqueles que lavaram as suas vestes (Apoc 3, 7-22). A árvore da vida, a primeira aliança anunciada a cruz da segunda aliança. A árvore da vida do Gênesis prefigura a árvore – cruz.
A profundidade do símbolo da árvore é extremamente espiritual. Ela une o mundo subterrâneo, através de suas raízes, ao mundo terreno, através do tronco e das folhagens e, deste, ao mundo espiritual, através da copa.
Um símbolo muito importante na iconografia é a vara do tronco de Jessé, que se lê em Is. 11, 13) e tem inspirados muitos ícones.
O símbolo da Virgem Maria, Mãe de Deus; simboliza a igreja universal, simboliza o Paraíso onde estão os escolhidos; simboliza a árvore genealógica onde culmina com a chegada da Virgem e de Cristo e se une com a cruz, Nova Aliança.
O Arco Íris é o símbolo de ponte entre o céu e a terra. Expressa, sempre e em todo lugar, união, relação e intercambio entre ambos. É símbolo da primeira aliança (sinal de pacto) entre Deus e o homem depois do dilúvio (cf. Gn 9, 12-17); símbolo de ascensão; de conclusão e de princípio da segunda Aliança.
O BÁCULO em sua forma de semicírculo ou círculo aberto significa o poder celeste aberto sobre a terra. Símbolo de autoridade que emana do céu. Cumpre relacioná-lo com o cajado do pastor. O gancho que tem na extremidade permite puxar para o seio do rebanho a ovelha desgarrada.
O CANDELABRO é símbolo da luz espiritual, de semente de vida e salvação. Símbolo da divindade e da luz que ela distribui entre os homens.
A CAVERNA / GRUTA simboliza o lugar subterrâneo ou, até mesmo, o mundo.
O CÍRIO / LÂMPADA / VELA simbolizam, mutuamente, a luz e a iluminação. É um objeto ritual, as igrejas se iluminam com velas. O cristão oferece velas aos ícones como símbolo de oração, de sacrifício, amor e presença. Também é símbolo de santidade e de vida contemplativa.
O CORDEIRO é o símbolo da simplicidade, inocência, obediência, pureza, doçura. É considerado o animal de sacrifício por excelência. É a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, imolado em sacrifício por todos nós.
Assim, do derramamento do sangue redentor do Cristo na cruz não deixa de estar relacionado com o sangue salvador do cordeiro sacrificado, com o qual os judeus recobrem os montantes e o dintel da porta, a fim de afastar de suas casas as forças do mal.
O CRÂNIO aparece na iconografia como símbolo de morte, da redenção e da ressurreição. Aparece nas profecias do Antigo Testamento com relação à ressurreição e aparece também nas vestes dos monges eremitas como símbolo da morte para o mundo e sua dedicação a Deus.
Apontando para os quatro pontos cardeais, a CRUZ é, em primeiro lugar, a base de todos os símbolos de orientação, nos diversos níveis de existência do homem.
A iconografia se apoderou da cruz para exprimir o suplício do Messias, mas também a sua presença. Onde está a cruz, aí está o crucificado. Convém sempre distinguir a cruz do Cristo padecente, a cruz patíbulo, da cruz gloriosa, que deve ser vista num sentido escatológico. A cruz gloriosa, cruz da parousia, que deve aparecer antes da segunda vinda do Cristo, é o signo do Filho do Homem, signo do Cristo ressuscitado.
O DESERTO é um lugar povoado de demônios (cf. MT 122, 43). Jesus foi tentado no deserto, e os eremitas, como Santo Antão, sofreram nele o assalto dos demônios. Terra árida, desolada, sem habitantes, o deserto significa para o homem o mundo afastado de Deus. É símbolo do retiro e batalha espiritual.
O DRAGÃO nos aparece essencialmente como um guardião severo ou como símbolo do mal e das tendências demoníacas.
São Jorge ou São Miguel em combate com o dragão, representados em tantos ícones, ilustra a luta perpétua do bem contra o mal. Sob as formas mais variadas, o tema obsessiona todas as culturas e todas as religiões e aparece até no materialismo dialético da luta de classes.
A ESCADA simboliza as mais variadas formas de relações entre o céu e a terra. É símbolo de ascensão gradual e de evolução. A quantidade de degraus corresponde a um número sagrado (sete em geral). É sinal simbólico da escada das virtudes sendo o primeiro degrau a humildade. Os mosteiros como lugares de evolução espiritual são designados “Scala Dei”.
Se nos limitarmos ao método, encontramos a noção de escada (gr.: clímax) nos padres da Igreja, principalmente
O ESCUDO é o símbolo da arma passiva, defensiva, protetora, embora às vezes possa ser também mortal. Para São Paulo, o escudo é a Fé, contra a qual se romperão todas as armas do Maligno.
A ESPADA é símbolo do estado militar e de sua virtude, a bravura, bem como sua função, o poderio. Quando associada à balança, ela se relaciona mais à justiça; separa o bem do mal, golpeia o culpado.
Às vezes, a espada designa a palavra e a eloquência, pois a língua, assim como a espada, tem dois gumes.
O FOGO, considerado sagrado, purificador e regenerador. No apocalipse, a imagem do divino aparece como rodas de fogo. No Antigo Testamento, Deus aparece na coluna de fogo e na sarça ardente. Símbolo da presença e manifestação de Deus.
A IGREJA é considerada a Esposa de Cristo e a Mãe de Cristãos. E, sob esse aspecto, se lhe pode aplicar todo o simbolismo da mãe.
O INCENSO está ligado à elevação das preces aos céus.
O LÍRIO é o sinônimo de brancura e, por conseguinte, de pureza, inocência, castidade e virgindade. O lírio simboliza também o abandono à vontade de Deus, isto é, à Providência, que cuida das necessidades de seus eleitos (cf. MT 6, 28).
O LIVRO / ROLO indica o próprio Cristo, Palavra de Deus, Verbo Encarnado. Às vezes, toma o simbolismo do Livro da Vida, onde os nomes dos eleitos estão escritos.
A MONTANHA possui um simbolismo de união do céu com a terra e de ascensão espiritual. As grandes hierofanias se dão nas montanhas: Sinai ou Horeb, Sião, Tabor, Garizim, Carmelo, Gólgota, os montes da Tentação, das Bem-aventuranças, da Transfiguração, do Calvário e da Ascensão.
O ÓLEO é o símbolo da purificação por causa do poder de limpeza. A unção com o óleo desempenha um importante papel sacralizante: unge-se coisas e homens.
A PALMA é universalmente considerada como símbolo de vitória, de ascensão, de regeneração e de imortalidade.
Existem vários significados para o símbolo do PEIXE. O principal e mais difundido é quanto à palavra grega Ichtus (= peixe) é uma forma de ideograma, sendo que cada uma das 5 letras gregas vista como inicial de palavras que traduzem por: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.
O peixe, visto como alimento é transformado em símbolo do alimento eucarístico ao lado do pão.
O peixe dentro d’água estende o simbolismo, vendo nele uma alusão ao batismo: nascido da água do batismo, o cristão é comparado a um peixinho, à imagem do próprio Cristo.
A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

Numa
Nascido por volta de 1670 na aldeia de Furná de Halkis. Escreveu muitos ícones portáteis, como também murais (afrescos), principalmente na Igreja do Santo Precursor, no
Grande mestre iconógrafo do século XIV e um dos mais importantes representantes da Escola Macedonica. Segundo a tradição ele era de
Santo monge e iconógrafo da Igreja Russa. Nascido em 1360 e falecido em 1430 é considerado o maior pintor russo de ícones, afrecos e miniaturas para iluminuras. Há pouca informação sobre sua vida. A primeira mensão de Rublëv é em 1405, quando ele decorou os ícones e afrescos da Catedral da Anunciação, no Kremlin, em Moscou. Na arte de Rublëv duas tradições se combinam: o mais alto ascetismo e a harmonia clássica das maneiras bizantinas. As personagens em suas pinturas são sempre calmas e pacíficas. Mais tarde, sua arte se tornou o ideal quando se fala em pintura de igrejas e arte icônica. Rublëv foi canonizado em 1988, pela Igreja Ortodoxa Russa.
Foi um artista grego bizantino e um dos maiores pintores de ícones da Moscóvia, professor e mentor de Andreij Rublëv. Teófanes nasceu na capital do Império Bizantino, Constantinopla (1340). Em 1370, mudou-se para Novgorod e, em 1395, para Moscou. Teófanes conhecia filosofia e tinha uma ampla erudição. Decorou em afresco as paredes e tetos de várias igrejas, entre elas: A Igreja da Transfiguração na Rua Ilin, em Novgorod (1378), a Igreja da Natividade de Maria (1395) e a
Pintor medieval russo de ícones, possivelmente o professor de Andreij Rublëv. Junto com Rublëv e Teófanes, o Grego, Prokhor pintou vários afrescos na velha Catedral da Anunciação, no Kremlin, em 1405 (a Catedral foi reconstruída em 1416). Historiadores russos atribuem um número de ícones dessa catedarl a Prokhor, incluíndo as obras na iconóstase da igreja.
Nasceu em 1895. Após a morte de seu pai, seu tio, o padre e monge Stephan Kontoglou, abade do mosteiro de Saint Paraskevi, assumiu sua custódia. Em 1923, em viagem para Monte Athos, descobriu a hagiografia bizantina e, desde então, lutou para o renascimento da arte. Durante a década de 1950-60 chegou ao ápice de sua eficácia hagiográfica. Escreveu vários ícones portáteis e murais em afresco. Considerado o restaurador da hagiografia ortodoxa e grande fiel da tradição ortodoxa. Repousou em 13 de julho de 1965, devido a complicações sofrido em um acidente automobilístico.
O padre Saverio Licari, é natural de Palermo, na Itália, e Mestre em Teologia Moral. Com um currículo rico e diversificado, utiliza do seu conhecimento para nos aproximar da iconografia cristã bizantina por meio desse pequeno livro.
Após o esfriamento do óleo pode ser filtrado para retirar o excesso de impurezas, em seguida despeje em um frasco limpo, transparente e com tampa. Para clarear essa solução, exponha-o à luz ou ao sol, certificando que o frasco esteja bem fechado. Alguns iconógrafos dissolvem alguns cristais de Damar em terebintina e acrescentam ao óleo. Na Grécia essa olifa é exposta ao sol durante quarenta dias para obter uma melhor qualidade.
Quando contemplamos os ícones das iconostases, vemos os caminhos que Deus percorre em nosso mundo (é a história da Salvação). O ícone da Mãe de Deus (Theotokos) que se encontra no lado esquerdo da porta central, mostra-nos não só a mãe que nos deu o Cristo; não apenas o modelo de humildade e obediência; nao apenas o modelo da própria Igreja. Este ícone não nos mostra apenas a Theotokos, mas o próprio Jesus Cristo, filho de Deus. No lado direito da porta central se encontra um ícone de Cristo, como ele está hoje. E, entre estes dois ícones, encontramos os Santos Evangelhos e a Eucaristia.
Entre estes dois ícones tembém podemos encontrar um conjunto de três portas, sendo que a mais importante é a porta central, chamada Porta Real (ou do Paraíso) e abrem para permitir que Deus entre em nossas vidas. Através destas portas qeu o Santo Evangelho, a Eucaristia e todas as bênçãos nos provêm quando nos encontramos na Igreja. Nela está representada o princípio da nossa salvação, ou seja, o ícone da festa da Anunciação, onde o Arcanjo Gabriel aparece pintado sobre a porta da esquerda e a Virgem Santíssima sobre a porta da direita. Além disso, vemos os quatro evangelistas que, com seus escritos, nos permitem conhecer os mistérios e acontecimentos de nossa salvação. As portas reais permanecem abertas durante os serviços, de modo que possamos olhar para frente e irmos ao encontro de Cristo.
Nas igrejas de origem russa, a iconostase teve um grande desenvolvimento também em altura. Nas antigas igrejas bizantinas, as cenas teofânicas principais que se enquadravam e acompanhavam as celebrações litúrgicas eram, em geral, em mosaicos nas paredes. Na Rússia, onde frequentemente existiam igrejas de madeira, na impossibilidade de afrescar as paredes, a decoração se concentrava na iconostase. Isso contribuiu para o desenvolvimento da iconografia, pois os artistas compreenderam que cada ícone não era uma composição em si mesma, mas o elemento de um todo.

Giovana Parravicini, organizadora de várias publicações referentes à história da Igreja Russa, concede uma atenção a este livro com uma especial importância em apresentar o conhecimento da vida da Mãe de Deus pelas sagradas iconografias russas. A introdução desta obra fica ao encargo do Padre Stefano Di Fiores, teólogo mariano, onde ressalta que "o verdadeiro ícone de Maria [...] é aquele que manifesta seu mistério, isto é, que leva o cristão ao conhecimento e ao amor do Filho, do Espírito e do Pai".
A nomenclatura desse tipo nos advém da profecia de Isaías, quando diz: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e por-lhe-á o nome de Emanuel (Is 7,14). Emanuel, palavra de origem hebraica, significa Deus conosco.
Nos ícones festivos que Jesus aparece como criança. Dentre estes recordemos as representações do Nascimento de Jesus, da Adoração dos Magos, da Fuga para o Egito, da Circuncisão, da Apresentação no Templo, do Menino Jesus entre os doutores, dentre outros.
O tipo iconográfico Achiropita (gr.: Não feito por mão humana) ou Mandilion é considerado, por sua grande importância, como o arquétipo e a fonte de toda imagem de Cristo.
- A boca é, geralmente, representada pequena e os olhos grandes e acentuados.
O tipo iconográfico do Pantocrator (gr.: Aquele que tudo rege) é a representaçao bizantina mais frequentemente usada. Ele é, ao mesmo tempo, o Filho de Deus humanado e o Deus que reina, que tudo rege. Ele é pintado ao mesmo tempo severo e manso.
O Rei dos reis e Cristo Sumo Sacerdote é uma das variações para a tipologia que ora apresentamos. Neste ícone Cristo está revestido com paramentos dos bispos, conforme os costumes do Oriente Bizantino. E no livro, em geral, se encontra escrito algo que intensifique o título, então, de um lado se encontra: O meu reino não é deste mundo, se meu reino fosse desse mundo (...) e do lado oposto: Tomai e comei, isto é o meu corpo entregue por vós em remissão dos pecados.

A tipologia da Virgem Odighítria (gr.: Οδηγήτρια; rus.: Одигитрия), que significa literalmente "Aquela que indica (guia, conduz, mostra) o Caminho", mostra, com um gesto indicativo da Virgem apontando na direção de Jesus, o caminho a ser seguido. Segundo uma auto-definição do próprio Jesus, quando disse: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim (Jo 14, 6).
Portaitissa
Perpétuo Socorro
Tricherousa
Eleoúsa
Glykophilousa
A Pelagonitissa (gr.:
Galaktotrophousa
A tipologia iconográfica da Virgem Orante pode ser representada de três formas principais:
Platytera
Uma linda variante do mesmo tipo é o ícone da Mãe de Deus do Cálice de Inesgotável Tesouro (rus.:
A Virgem da Deésis (gr.: