Para quem não está habituado ao estilo bizantino de arte pictória pode estranhar ao se deparar com um ícone, pois fogem, em muito, do modelo moderno e contemporâneo de pintura, desde a sua composição das partes do corpo à arquitetura e vegetação existente em cenas. Por isso, na história da arte compreende-se um ponto só sobre a arte bizantina.Em geral a estilização bizantina apresenta uma composição toda particular. A cabeça mostra certa desproporcionalidade em alguns personagens (p. ex., o Emanuel), porém nestes traços aparentemente irregulares ou desproporcionais surgem explicações de uma riqueza teológico-simbólica ímpar.
A estilização bizantina
A estrutura dos desenhos deve obedecer a uma composição geométrica precisa, formando uma peça harmoniosa segundo a ordem de cada parte.
I. Partes do rosto frontal
a) Os olhos

Obedece a medida de 2 x 1 e sua estilização se caracteriza por uma pupila e uma íris ligeiramente ovais e unidos à pálpebra superior, sem formar uma circunferência completa. A linha da pálpebra superior não pode ser muito baixa, pois expressaria tristeza no olhar. No desenho das pálpebras não se unem, dando assim profundidade no olhar.
b) O nariz
A proporção é basicamente de 3 x 1 sendo desenhado, na parte superior, como um funil, seguindo fino e alargado até formar uma gota levemente voltada para o lado direito de quem olha. A origem do nariz (parte afunilada) é o eixo do rosto, onde se distribui (segundo uma correta proporção) todas as demais partes que o compõe.
c) A boca
É pequena, fina e desenhada de maneira que as linhas não se toquem. A proporção é de 1 x 1 e a linha central que divide o lábio superior do lábio inferior poderá ultrapassar pouca coisa dessa proporção, porém jamais deverá expressar sorriso e será sempre fechada. O lábio inferior deve ser mais grosso que o lábio superior.
d) As orelhas
São raros os ícones que mostram o formato completo das orelhas do personagem representado (geralmente alguns santos), o que mais se destaca é somente o lóbulo inferior, que deve estar alinhado com a ponta do nariz. Caso seja empregado o desenho completo da orelha deverá ter a mesma proporção que o nariz, ou seja, 3x1 e deverá estar unida à linha do rosto.
II. Partes do rosto de meio perfil
a) Os olhos
Para ambos os olhos, a proporção será a mesma de 2 x 1, porém serão invertidos conforme o direcionamento da cabeça. No caso abaixo supõe um rosto voltado para a direita do espectador.
A imagem da Primeira Pessoa da Santíssima Trindade é bem difícil de ser encontrada nos antigos ícones. Encontramos de maneira representativa nos ícones da hospitalidade de Abraão (cf. Gn 18, 1-7) ou na clássica tipologia da Santíssima Trindade (idealizado por Rublev). “Nesses três homens, aos quais Abraão se dirige no singular, muitos Padres viram o anúncio do mistério da Trindade, cuja revelação é reservada ao NT” (nota da Bíblia de Jerusalém, p. 56).
Não é raro encontrarmos somente uma indicação da manifestação de Deus nos ícones, ora como um raio ou um feixe de luz ora como uma mão abençoando, isso porque Deus-Pai se comunica aos homens através de sua Palavra, ou seja, Ele se revela como Aquele que existe, “Aquele que é” (cf. Ex 3,14; Apoc 1,8), cuja forma grega de se escrever – O WN – se encontra na auréola crucífera de Cristo. Assim, podemos perceber que Cristo é o ícone visível do Deus invisível (cf. Col 1,15). Então, alguns iconógrafos entenderam que Cristo “é antes de tudo e tudo nele subsiste” (Col. 1,17) e escreveram os ícones do Gênesis, ou da Criação como se Jesus Cristo – IC XC – fosse aquele que plasmou tudo o que existe. Sim, porque “Ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 2-3).

Este é o segundo volume da coleção em que a autora se dedica especialmente aos ícones da Theotókos (Mãe de Deus), destacando os princípios fundamentais com os indícios de seu desenvolvimento no tempo. As palavras de dois ortodoxos também se fazem ouvir nesta primeira parte do livro. Numa segunda parte há as descrições de vários tipos de ícones marianos e o diálogo entre o primeiro e segundo milênio através de intelectuais e santos, sobre o culto e louvores a Santa Mãe de Deus.
Ícone de Cristo e dos Santos
A representação do mundo vegetal e animal, nos ícones, são apenas indícios ou, às vezes, estão "de maneira um pouco extraordinária, além da lógica humana" (Donadeo, p. 56). As rochas e montanhas são usadas como acessórios de fundo, mas com um simbolismo todo especial, pois eram onde a presença de Deus se manifestava (Horeb, Sinai, Carmelo, Sião, Calvário etc.).
As montanhas "são representadas como se estivessem inclinadas para o santo em sinal de respeito, o que significa que até a matéria criada foi transformada pela santa presença. As árvores e a vegetação também reconhecem esta presença, inclinando-se em direção ao santo ou estendo-se para frente em direção ao reino do divino em alegre louvor" (Kala, p. 23).
A arquitetura que aparece nos ícones não guarda nenhum respeito às proporções. Janelas e portas encontram-se em locais totalmente estranhos e as dimensões corretas não são obedecidas. Às vezes, alguns objetos (por exemplo, uma cadeira), são desenhados deformados.










A mão da Theotókos que segura no seu braço o Emanuel, geralmente encontrada nas imagens do tipo Eleúsa (Glykophilousa, Odighítria, Galaktotrophousa, dentre outras), simboliza - ao mesmo tempo - um pedido de súplica / intercessão e , ainda, indica o seu Filho. Esta última é vista, principalmente, na "Virgem que aponta o Caminho" (Odighítria).
Em outras tipologias da Mãe de Deus, como a Virgem do Sinal, a Orante e outras, vemos uma atitude de oração representada pela mão estendida com a palma voltada para o céu. Alguns santos também aparecem com essa mesma atitude em algumas cenas específicas, como nas representações na fileira da Deésis, quando encontrados em oração elevando seus rogos e súplicas.
O Apóstolo Pedro é representado com uma chave em uma das mãos, lembrando a imposição de Cristo, quando disse: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o uq eligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16, 19). Enquanto a outra, geralmente, leva consigo o livro, representando assim as duas epístolas canônicas escritos por ele.
Neste exemplo temos um turíbulo simbolizando que o personagem representado deverá ser um diácono. Numa outra situação, alguns anjos e santos podem receber em suas mão este instrumento que poderá ser associado às orações, conforme o Salmo 141, quando reza: Suba a vós minha oração, como incenso da tarde. Assim vemos na mão de S. Pedro, no ícone da "Dormição da Mãe de Deus" (Kóimesis), na mão do Anjo do Apocalipse e em outros.
Uma simbologia particular deve ser atribuída à cruz. Simbolo do martírio para alguns santos, por isso estes a levam em sua mão, prenúncio da morte na qual Jesus deveria morrer e que fora anunciado pelo Arcanjo Miguel, no ícone da "Virgem da Paixão" ou "Nossa Senhora do Perpétuo Socorro".




Os registros mais antigos da utilização do azul 

Primeiro separa-se a gema da clara. Uma gema pura, livre da clara, é o material padrão. Após a gema estar separada da clara pelo método comum de alternar despejando, uma na outra, as metades da casca ou, melhor, pelo uso de um separador de clara e gema, a gema é rolada ligeiramente numa toalha de papel para secar a camada de clara aderente e a maior parte da calaza (um dos cordões que prendem a gema à membrana do ovo das aves), e então é transferida para a palma da mão aberta e reta (e não em forma de concha), levantada pelo polegar e dedo indicador da outra mão de modo a não romper a pele, e suspensa sobre um frasco ou xícara. A pele é então perfurada na base com uma faca ou ponta afiada.
Uma pequena quantidade de água pode ser misturada a esta; como se utilizará água na pintura que alguma quantidade esteja adicionada nesta operação, mas use somente água destilada. A quantidade de água pode ser na mesma proporção da gema utilizada, ou seja, pode ser medida com a metade da casca do ovo limpo.
O autor de ícones é chamado iconógrafo, que significa “aquele que escreve ícones”. Em relação ao artista, não se diz, portanto, que pinta ícones, mas que os escreve.
Conforme a definição técnica, ícone é a representação de uma personagem ou cena em pintura sobre madeira, não raro recoberta de um metal precioso (geralmente ouro), ela própria considerada sagrada e objeto de culto. A palavra “ícone” deriva do grego eikóna , que quer dizer “imagem, representação, gravura ou figura” O novo testamento aplica esta palavra a Cristo, quando diz que “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15).
teve a surpresa de ver impresso no linho a Sagrada Face.
de forma prodigiosa, ou seja, “não feita por mão humana”, a tipologia mariana foi inspirada por S. Lucas. Segundo uma antiqüíssima tradição a Mãe de Deus teria posado, segurando o menino-Jesus no colo, para que o evangelista a pintasse inspirado por Deus (assim representado por um anjo). O produto dessa imagem seria o modelo de todos os ícones marianos que subsistem.