terça-feira, 13 de outubro de 2009

A TÉCNICA

A PREPARAÇÃO DA MADEIRA

É preciso uma madeira resistente e bem seca, de 15 a 20mm de espessura, coberta inicialmente com cola firme e bastante líquida para penetrar a madeira. Quase sempre com essa mesma cola se fixa sobre a madeira uma tela finíssima e limpa. Às vezes, escava-se o centro da madeira, deixando um contorno de 2 a 5 cm por alguns milímetros de altura, formando nos quatros lados uma espécie de moldura.

O LEVKAS

Uma espécie de cola forte de coelho e pó de pedra branca (mármore ou gesso) é espalhada várias vezes sobre a madeira, pincelando e deixando secar bem cada vez. Forma-se, assim, sobre a madeira, um branco (levkas) harmonioso, polido pacientemente com lixa fina até se obter uma superfície branca e dura, pronta para realizar o desenho.

O DESENHO

(Ver: Esquemas Iconográficos Cristo e Theotókos)
Os contornos das imagens são esboçados com uma ponta fina ou com um lápis, ou ainda com um pincelzinho embebido na ocra preparada a têmpera. Naturalmente, antes de tudo, o iconógrafo já teria preparado um bom modelo, servindo-se de ícones antigos reproduzidos em papel; de um guia-manual que lhe permita conformar-se com a tradição.

A DOURAÇÃO

Cobre-se a superfície a ser dourada (auréola ou fundo) com um extrato de ocre amarelo ou vermelho. Em seguida, enverniza-se com o mordente; sobre o verniz, estando seco, mas ainda pegajoso, aplica-se a folha de ouro. Deixa-se secar. Limpam-se os contornos com um pincel macio e aplica-se outro verniz para protegê-lo.

A EMULSÃO

Existem numerosas receitas para a preparação da emulsão com gema de ovo como aglutinante (pintura a têmpera). Eis algumas:

1 gema de ovo
2 partes de vinho branco de mesa

ou,

1 gema de ovo
1 parte de água
2 colheres de vinagre branco (ácido ascético)
3 cravos da índia

ou ainda,

1 gema de ovo
1 parte de cerveja clara

Em todos estes casos é necessário misturar bem a emulsão antes de usá-las e, para conservar, deve ser guardadas em geladeira e a utilização deve ser com conta-gotas comum.

A PINTURA

Com o pó da cor que se deseja, misturando com um pouco de água, se acrescenta a emulsão e obtém-se um colorido que é passado em camada fina, sutil e uniforme. Diversamente do processo da pintura a óleo, aqui nunca se usam as “pinceladas grossas”.Quando a primeira camada de cor estiver seca, cobre-se com uma segunda da mesma cor mais diluída em água; repete-se o processo várias vezes. Com um pincel fino traça-se as linhas externas e depois as internas sobre as superfícies de uma mesma cor, porém mais escura e menos diluída. Para se dar mais destaque a certas partes, escurece-se a parte não iluminada, empregando-se uma cor de tom escuro, mais profundo do que o usado anteriormente ou, também, “clareiam-se” as partes iluminadas. A claridade se obtém através de várias camadas (duas ou quatro), colocando-se sobre a superfície seca a cor já empregada com o acréscimo de um pouco de um pó branco. Este processo é contínuo, feito por várias vezes, limitando cada vez a superfície pintada. O último efeito de luz é obtido com alguns tracinhos de branco puro, obtendo-se uma luminosidade de um só tom ou reflexo simples. Mas, às vezes, emprega-se o reflexo de duas cores (por exemplo, uma cor fria azul pode ser iluminada com uma tinta quente como por o vermelho).

AS INSCRIÇÕES

A inscrição é feita em uma das línguas litúrgicas bizantinas: grego, eslavo, árabe, hebraico etc. Porém, conservam-se as abreviações em grego para indicar a Mãe de Deus (MP OY) e Jesus Cristo (IC XC). Na auréola de Cristo, onde se desenha uma cruz, encontra-se sempre as três letras "O WN", isto é, “Aquele que é”, o nome de Deus revelado a Moisés, quando se encontrou diante da sarça ardente.

Um comentário:

Luan Maria disse...

Olá, bom dia!

Vocês sabem se há aqui em brasília alguém que aplique o curso de iconografia? poderiam disponibilizar contato?

Desde já, obrigado!