sábado, 18 de junho de 2011

O LEVKAS

A palavra levkas provém do grego (λευκος), significa “branco”. Este é o nome que é dado ao fundo do ícone, que consiste na mistura da cola fraca aquecida com gesso e óleo de linhaça, segundo uma dosificação precisa e muita experiência em sua aplicação.

PREPARAÇÃO

Aqueça a cola fraca em banho-maria e acrescente, para a medida preparada de cola, 1 quilo de gesso, polvilhando sem deixar criar “pelotas” ou bolhas de ar, devendo mexer suavemente para misturar os ingredientes. É recomendável adicionar 5 ou 6 gotas de óleo de linhaça à mistura, para garantir uma certa flexibilidade do levkas, sem retirar do fogo e sem parar de mexê-lo.

Este processo deve ser cuidadosamente observando e requer uma grande atenção, pois é no levkas que será impresso o desenho e empregado a pintura. Caso algum defeito aconteça neste momento, não será possível consertá-lo.

A mistura de cola, gesso e óleo não pode ser fervida e é melhor prepará-la em um recipiente fundo para retardar a evaporação demasiada. É normal que se forme, na superfície, uma camada mais grossa e não deverá ser usada. Neste caso deve-se misturar bem com o resto cada vez que for aquecida a mistura.

O gesso possui, em sua composição natural, propriedades de cimentação e endurecimento completamente indesejáveis para o uso na confecção do fundo do ícone. Então, deve-se observar que o gesso a ser utilizado não deve conter estas propriedades. O gesso-cré é o mais recomendável. Caso não seja encontrado, pode ser facilmente substituído pelo pó de alabastro, pó de mármore ou, ainda, carbonato de cálcio hidratado. Estes materiais são facilmente encontrados em lojas de materiais artísticos e de restauro.

APLICAÇÃO

Depois que a tábua receber a fixação da tela e esta estiver bem seca, passa-se para a aplicação da mistura aquecida do levkas. O aquecimento contínuo por muitas horas irá naturalmente causar alguma evaporação e, um pouco de água deve ser adicionada de vez em quando, de acordo com a experiência e critério do usuário. Para aplicá-lo bem, o levkas deve ter a consistência de um creme fino e macio.


A primeira camada deve ser aplicada no suporte, bem quente, com uma trincha de cerda dura e, em seguida, passar os dedos levemente por toda ela, com movimentos circulares, examinando-o de perto para detectar bolhas de ar.

A segunda camada é aplicada em pinceladas uniformes, paralelas a (iniciadas ao longo de) uma das bordas do painel. O levkas pode ser inicialmente aplicado e distribuído por igual com poucas pinceladas para frente e para trás, mas todas as pinceladas de nivelamento e alisamento devem ser feitas numa só direção. Assim que o gesso parar de fluir e começar a secar, ou o pincel começar a pegar, pare e aplique gesso fresco na próxima área.

A terceira camada deve ser aplicada com pinceladas perpendiculares em relação aos da segunda camada, paralelas às outras bordas do painel. A quarta camada, perpendicularmente em relação à terceira, e assim por diante.

Não há uma regra geral para o número exato de camadas a serem aplicadas, mas deve-se acumular uma espessura suficiente para poder lixar, eliminando todas as marcas deixadas pelas cerdas do pincel. Em geral são necessárias de 4 a 5 camadas, porém há registros de iconógrafos que indicam até 9 camadas, mas pode-se obter bons resultados com apenas 3 camadas, depende da experiência do artista.

Observação: Como o levkas é preparado a partir da cola fraca, este poderá ser mantido conservado em refrigerador de acordo como indicado quando tratamos da conservação da cola.

ACABAMENTO

Após a última camada de levkas estar completamente seca, o painel finalmente chega a um acabamento perfeitamente liso, semelhante ao marfim, usando vários tipos de lixa. A lixa do tipo “lixa d’água”, parece ser a de melhor abrasivo para este fim.

Um pequeno bloco de madeira pode ser utilizado para segurar a lixa numa superfície plana; a pequena irregularidade de superfície assim obtida tem sido tradicionalmente preferida.

POSSÍVEIS DEFEITOS

Os defeitos mais característicos na aplicação do levkas sobre a tábua com a tela são os aparecimentos de furinhos e rachaduras. Os furinhos aparecem logo na segunda camada do gesso e, se não forem tampados com a fricção dos dedos umedecidos em levkas aquecida, poderá persistir nas camadas subsequentes.

Uma das razões para o desenvolvimento de tais furinhos num painel de gesso é a maneira como a primeira camada foi aplicada; muitas vezes o gesso não umedeceu completamente o suporte por causa da poeira, variações em temperatura ou tensão superficial da mistura do gesso.

As rachaduras serão percebidas após a aplicação de todas as camadas do levkas e quando estiverem completamente secas. Os aparecimentos de rachaduras são, às vezes, atribuídas ao uso demasiada de uma cola concentrada que penetram no gesso e depois de secas contraíram-se com tal força a ponto de partir o gesso e fazê-lo separar do suporte. Por isso deve-se observar o equilíbrio da cola fraca e acrescentar água na medida em que for sendo aquecida por muito tempo.



A Deus seja a Glória! Δόξα τω Θεώ!

4 comentários:

annemarie disse...

I would really like to understand your language!
Anne-Marie

Atelier de Iconografia SANTA CRUZ disse...

Annemarie,

Use the translator on the side, please. With it you can read the texts in their language.

A big hug from Brasil.

Pollyanna disse...

Sobre as rachaduras, existe possibilidade de ser concertada, ou eh melhor retirar e repetir todo o trabalho?

Atelier de Iconografia SANTA CRUZ disse...

Pollyanna, em geral pode se prever certas rachaduras desde a terceira camada de levkas. Para evitá-las, no decorrer da aplicação, pode-se aplicar com o dedo, em poucas quantidades, esfregando no local onde for aparecendo as rachaduras e, depois, passar outra demão de levkas na madeira inteira. Faça isso alternando com dedos e demãos inteiras. Boa Sorte!